viver
samba na casa azul
viver é respirar
o sol embutido nas telhas
viver é romper os cascos
derramar umidades
uma musiquinha bonita
como um peixe que na infância eu criava
um açude sombreado de nuvens
viver é a nuvem que eu bebo
debaixo da chuva
apagando as fogueiras do São João
um poema verdejante
amadureceu: a vida
viver é teu beijo
e tristeza é só uma bobagem grande
jeudi 28 juin 2012
não vi o brasil
menino de tarja preta na boca
não se escapou a voz
nem a dor do medo
calado
camisa amarela debaixo do sol
povo aeróbico
não vi o brasil
por ele esta no meu lombo
um pedra de quinhentos anos
um negro sísifo
não vejo o brasil
imensa senzala no meio da floresta
não vejo o brasil
porque cegaram meus olhos
menino de tarja preta na boca
não se escapou a voz
nem a dor do medo
calado
camisa amarela debaixo do sol
povo aeróbico
não vi o brasil
por ele esta no meu lombo
um pedra de quinhentos anos
um negro sísifo
não vejo o brasil
imensa senzala no meio da floresta
não vejo o brasil
porque cegaram meus olhos
mardi 12 juin 2012
ornitorrinco proletário
comedor do mito do sol de mulher amarela
asas de cachorro
comedor das buzinas
poluído pela água dos chuveiros. Pelos cremes
ectoplasmahomem
violentado pelos hifens
pega seu carro e vai comer distâncias
hiatos
construtor de pontes
com seu pênis metafísico
meta útero
semblantes contemplativos
cresce-lhe musgo na baba da boca
ele masca chicletes debaixo da lua cinza
ele assiste via satélite
a rosa de uma bomba
brilha em suas lentes
e ele envelhece
durante a tarde melada de lôdo
comedor do mito do sol de mulher amarela
asas de cachorro
comedor das buzinas
poluído pela água dos chuveiros. Pelos cremes
ectoplasmahomem
violentado pelos hifens
pega seu carro e vai comer distâncias
hiatos
construtor de pontes
com seu pênis metafísico
meta útero
semblantes contemplativos
cresce-lhe musgo na baba da boca
ele masca chicletes debaixo da lua cinza
ele assiste via satélite
a rosa de uma bomba
brilha em suas lentes
e ele envelhece
durante a tarde melada de lôdo
lundi 2 avril 2012
Visões 2
os azuis verdes dos olhos
sob venda, luva
glaucoma cinza preto
sol volteado cromatiza
de alaranjado outono
as cores anacrônicas do sangue
a morte entre branco e preto
cores de nó cego
vermelho acácia
não!
não!
apenas
crepúsculo lacrimogênio
sob venda, luva
glaucoma cinza preto
sol volteado cromatiza
de alaranjado outono
as cores anacrônicas do sangue
a morte entre branco e preto
cores de nó cego
vermelho acácia
não!
não!
apenas
crepúsculo lacrimogênio
vendredi 24 février 2012
21 de fevereiro
nuvens se despeçando,
esbagaça as horas,
fabricando passados
opacos,
fosforecendo,
abertos;
dias normais,
um mero 21 de fevereiro,
dias de burocráticas nomenclaturas,
opacos,
repetidos,
abertos,
nascidos na velhice;
as nuvens se desfazem
em chuva,
em imagens:
cara de mulher debaixo da lua,
dragões acetinados,
minha morte
esbagaça as horas,
fabricando passados
opacos,
fosforecendo,
abertos;
dias normais,
um mero 21 de fevereiro,
dias de burocráticas nomenclaturas,
opacos,
repetidos,
abertos,
nascidos na velhice;
as nuvens se desfazem
em chuva,
em imagens:
cara de mulher debaixo da lua,
dragões acetinados,
minha morte
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