lundi 4 avril 2011

o que é literatura?
não sei
Nem quero saber.
evade-se de mim
um bicho inquieto
com quem joga estrelas
no firmamento magro
O RAP que eu deveria cantar

Seguindo no caminho
entre sonhos de moinho
pela senda de aço
beirando homens de plástico
discurso bombástico
pixo seu ouvido com o RAP que faço
a façanha de estar vivo
ao vivo e na minha cor
a cor que sofre o clivo
a dor escorre no suor
debaixo do verão
a urbe arde em febre
em cima do chão
o recife segue sua verve
modula as rotinas
nos ângulos das esquinas
raízes de concreto
nascem na boca de um homem
macaco de piche no seu andar ereto
se desfaz no ar, seus atributos somem 

vendredi 4 mars 2011

Depois

derramo um pote de estrela
sobre teu corpo
enquanto toco uma canção
nas flautas dos teus seios
meus dedos dançam
no íntimo de tuas curvas
me amarro
em seus longos negros cabelos
entre as saliências do vento
enquanto sonho
dormimos para matar o mundo
das nossas ausências

Poesia do Novo

Estou cansado de verbos gastos
orações mofadas
saturado das burocráticas linguagens
Adjetivos injustificáveis
e inúteis
Estou cansado das matemáticas do pensamento

Quero a libertação
ação livre da larva subterrânea
do meu ser sem palavras
As falas dos homens não mais servem
Não dizem mais as coisas minhas

lundi 27 septembre 2010

Sobre o Futuro

Gosha Ostretsov (www.ostretsov.com)


















Escolhestes o terno,
Esquecestes o amor,
Querias re-inventar o eterno
Fabricando um flor

Escolhestes o bom lar,
Ir a missa domingueira,
Se aconchegar no sofá
A esperar a hora derradeira

O tempo esculpirá a velhice
No teu semblante sombrio
O tédio encherá de mesmice
Teu universo vazio

Te acostumarás ao escuro,
Te abraçarás ao medo,
Perderás teu futuro
Se esquecendo que inda é cedo

No fim, perderás tudo,
Até o direito de morrer,
No fim, não estarás mudo
Mas nada hás de dizer

Um história Cabense

Nas sendas das Calhetas
Apanhei uma branda rosa
Procurei a musa perfeita
Para dar tal estrela cheirosa

Eis que te vi a ver o mar
De um azul sem medida
O Atlântico a te cantar
Minha melodia preferia

Se aprocheguei e te dei
Aquela rosa delicada
A teu lado contemplei
A praia de Gaibu alumiada

No céu, o sol retirante
Caminhava para o Sertão
Lá longe, a lua brilhante
Banhava a arrebentação

Depois de nos contar
E contarmos as estrelas
Escolhemos nos amar
Até a noite derradeira

Poeta Venal

Vendo flores
Vendo dores
Vendo alegria
Vendo de tudo na minha poesia
Rosas amarelas
Pálidas ou esqueléticas
Rosas vermelhas, rosas belas
Rosas pulsantes, rosas frenéticas
Vendo rosas de amores
Pintadas de falsa cores
Vendo poesias quando preciso
De fama e riso
Vendo versos e me vendo
Sou um fingidor
Ando me revendo
Sem saber o que sou