jeudi 23 février 2012

Salvação

em poemas,
em fatias, 
em gotas de sangue,
cortado em cubos
o espanto.
átimo velado
perante exército de horas
derramadas em homogêneo
A dor de um azul céu.
o avião dependurado no arco da ponte aérea
e as placas do aeroporto já não me deixam vê-la.
se despedir é como ver um mundo quebrado,
a distância desintegrando o rosto da pessoa
...
depois a impressão é que a vida
não é mais que arquivamentos 
bulindo na parte de dentro e escura da gente
amarelo avião alcalino
fuselagem de progresso
tracejando a jato
o milagre do homem

turbina de rasgar
oceanos de distância,
nuvem, céu,
pesadas torres, 
crianças.
A lâmina do progresso

LINHA SUL

segue o metrô sua pulsão,
coelho de costelas de vidro.
impondo uma linha nas estrias do subúrbio,
cortando periferias de gente, 
assiste os avessos das casas,
quintais dos circuitos de produção,
o pé podre das industrias químicas.
O metrô é um filme revelador,
cinema de pobres olhos,
documentário sobre o cu da cidade

samedi 18 février 2012

Musa de Plástico

menina nua
corpo de silicone
com a língua crua
que só diz seu nome

pelúcia nos cabelos
pupilas de Raybon
sua voz de néon
do som das modelos

modos de brilhantina
na roupa plastificada
sob a carapaça fina
da pele maquiada

moça que passa
como passa juventudes
como murcha atitudes
de uma vontade escarça

vendredi 18 novembre 2011

LINHA 181

Um motorista degolado acelera o ônibus das 23:00 h
Pátios desamparados e lojas fechadas 
encaram meus olhos revestidos de placas de vidro
Sinto que pedaços de sono latejam em mim
Meu estigmatismo borra de coágulos de postes
a imagem escuras de pombos insones:
parecem ratos que aprenderam a voar como morcegos.
Por cima de nós, como um satélite soviético:
uma lua cor de zinco que não posso ver.
O caminho já me conhece e me suga em linha reta
tudo incensado pela respiração do distrito industrial
Deixo-me cair em algum lugar da inconsciência
e a napa das poltronas bebe meu suor
Fecho a janela dos olhares e sonho durante meio quilômetro:
e no sonho eu era uma chapa de ferro
mas que voava como um pato silvestre até chegar em casa

mardi 1 novembre 2011

Saudade

minha saudade é esta masturbação de calendários
os respingos de esperma quarando nos lençóis
é tua voz rouca pregada nas telhas
dizendo as narrativas dos teus gestos
minha saudade é um abraço de aço
das mãos da ausência: minha saudade é um buraco
este açude estagnado no meio da sala
e eu sou a canoa que navega nesta insônia