samedi 20 août 2011

Kritisa

hoje, sou teu, Kritisa
dá cá teu braço
afugenta meu cansaço 
teu beijo de brisa


dá cá teu colo, Kritisa
apaga varizes de dor
seus raios de torpor
terremoto que suaviza


com minhas mãos vagueio
teu corpo na explosão
toda farta alucinação
dos ávidos teus seios


Kritisa, hoje teu sou
viajante, te espero
esperante, te quero
e hoje, contigo vou






Walter

Walter, você
1) entornou o vinho
2) cortou as cordas da guitarra
3) arrumou palavras às poesias inauditas
4) usou guarda-chuva quando o céu distribuía as nuvens
5) foi a conurbação enquanto flores murchavam
6) matou seu sono no terceiro capitulo do sonho
7) assassinou os personagens no meio dos seus contos
8) apagou as velas das orações
9) Estraçalhou a garganta dos poetas
10) Ordenou saques aos bosques azuis
11) Escreveu seus dez ou doze mandamento
Depois, quando sua missão cumpriu-se
12) Você, Walter, morreu, sem despedidas
E ainda era segunda-feira


touceiras de gente e farda
esperam
...
metrôs 
...
esperam
...
trens
...
esperam
...
ônibus
...
esperam
...
a morte
uma barcarola

mercredi 17 août 2011

mulheres semi-nuas
cruas
roupas cruentas
parca poesia
corpo
sem melodia
ordinária rima
aberta
abertamente 
flor arregalada
baldia
pétala fria
semi-rosa
semi-mulher

Olhos de dentro

os meus olhos de dentro
não querem beber
nem mergulhar
na poeira de fuligem
os meus olhos de dentro
não escutam buzinaços
não leem placas
os meus olhos de dentro
sujos de meus carbonos
das minhas tintas
enlameados nas minhas grotas

dimanche 14 août 2011

Sêmen de Silício

a noite dói nos olhos
e vende-se muitos óculos
a saliva já arde
na hora do beijo
queima a língua


apenas abraços eletrônicos
masturbações digitais
sussurros entre eu e jaqueline maria
anunciados pelas placas telefônicas
e quando gozamos:
sêmen de silício 

jeudi 11 août 2011

Em Gaíbu

A acidez azeda do iodo
dissolve a infraestrutura
da minha vontade
entupido de verde-mar
o tempo continua, sei
brutas rochas
pesadas como âncoras
rasgando espinha de ondas
construindo as sintaxes
de cada dia
e o navio passa
trazendo coisas e levando gente
levando gente e trazendo coisas
misturadas
aqui
fico
como o navio não fica
como os homens não ficam
aqui fico
como meu corpo não fica
minha rebeldia é olhar o mar